A UNICIDADE E A VERDADE

A Unicidade não é uma versão, não é uma crença, não é uma percepção de um indivíduo. A Unicidade é o que nós constatamos quando expandimos e percebemos que esse corpo é um ponto de atenção da nossa consciência e essa consciência é tão magnífica que ela se expressa em tantos quantos pontos queira.

O primeiro ponto que eu considero o eixo da Autosofia é a Unicidade. A Unicidade por si já diz que tudo é uno. Não existe eu e você, embora nós usemos este vocabulário para nós expressarmos e interagirmos. Nós temos um código de linguagem para nos expressarmos e sermos entendidos.

Mas a Unicidade nos mostra é que não existe eu e você. O que existe somos nós em uma expressão multimanifesta, com milhões, bilhões, “zilhões” de células que são conscientes, que são ativas e que se unem para viver uma experiência.

A consciência que somos decide viver uma experiência e se molda para se tornar o que quer. Usando a analogia do teatro, ela vai se tornar a casa de espetáculos, vai se tornar a coreografia, a cenografia, a música, os atores, a plateia. Tudo é a mesma consciência se metamorfoseando e se tornando todos os elementos necessários para o show acontecer.

Eu já tive muitas experiências onde eu ficava achando graça da nossa necessidade de ser aplaudido. E eu me percebi sendo aplaudido e aplaudindo. Nessa situação a percepção muda de figura. Porque de repente já não tem mais uma estrela. Todos são estrelas e todos são um mesmo. Termina sendo uma brincadeira que não é o que se pensa que é. Nós buscamos muito um reconhecimento que na verdade é só fruto do quanto estamos esquecidos de quem somos.

O segundo ponto depois da Unicidade é a Igualdade. A unicidade nivela a todos em um patamar fantástico e logo depois nós temos uma constatação natural que é a igualdade. Quem não percebe isso é porque não entendeu a Unicidade.

Por isso é que não adianta nós queremos nos sobrepor a alguém, no momento em que desejarmos nos sobrepor a alguém, porque estaríamos declarando que estamos num patamar superior e isso é uma ilusão.

O terceiro ponto é que não existe alguém com privilégios em relação aos outros. Quando nos desidentificamos com a forma, com a personalidade, percebemos que somos uma única consciência vivendo em todos os corpos, como podemos privilegiar alguém?

Já me questionaram:

– Se não existem privilegiados, como fica a situação daqueles que se sentem desfavorecidos?

A minha resposta é que existe o outro lado da mesma moeda. O que leva um a se colocar no patamar de superioridade é a mesma inconsciência que leva o outro a se colocar num patamar de inferioridade.

A unicidade, a igualdade e o não privilégio, sendo que este último faz parte da igualdade, são os pilares que devemos seguir. E eu acrescentei o não privilégio como um argumento a mais para a mente. Não ter privilégio é não ter uma prioridade em relação aos outros. É entender que todos temos os mesmos recursos e autonomia para criarmos o que quisermos. E cada um vai viver de acordo com a sua criação.

Igualdade não é divisão de bens. Igualdade é respeitar a autonomia de cada um de nós, sabendo que cada um de nós tem os mesmos recursos para criar.

O não privilégio inclui uma gama de coisas:

Se tem algo que na Autosofia é muito claro é que nós somos iguais e se na nossa convenção masculina milenar nós adotarmos a ilusão de que nós temos privilégios em relação as mulheres nós estamos inconscientes do que é a Unicidade.

Vejo que é muito comum que as pessoas acessem essa verdade, achem ela linda, mas em pouco tempo estão contradizendo o que acessaram, como se não tivessem entendido o significado daquilo. Por isso precisamos aprofundar em cada uma dessas partes e dizer para a mente que ela precisar integrar o que foi acessado.

Temos que passar a observar acima da personalidade que somos em cada ser humano que vivemos.

Quantos conhecem o símbolo Oroboro?

O símbolo Oroboro é uma cobra que faz um círculo e que come o próprio rabo. Isso significa que tudo começa e termina em você mesmo. E quando você come você come a si mesmo. Porque você é o que come e é a comida também. E quando você bate você também apanha. Você é o que bateu e o que apanhou também. Quando você trata bem você recebe o bem porque é você é o mesmo em corpos aparentemente diferentes.

O símbolo Oroboro quer dizer esse infinito eu que vivo e me usufruo.

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